quinta-feira, 5 novembro , 2026

Risco de novas enchetes: O que é preciso fazer?

Amanda Menger
Tubarão

Amanhã, os tubaronenses lembrarão os 35 anos de uma tragédia compartilhada com o mundo inteiro: a enchente de 1974. A população foi surpreendida pelo volume de águas que ‘desceram’ das cabeceiras do rio, devido às chuvas constantes nos municípios ao pé da serra. Além dos prejuízos materiais e econômicos, 199 pessoas perderam a vida.

No fim de semana de 22 e 23 de novembro de 2008, as chuvas deixaram o seu rastro de destruição no norte do estado. Novamente, prejuízos materiais e mais 130 mortos e outros tantos desaparecidos. Aqui, o Rio Tubarão chegou a 4,70 metros acima do nível. Se passasse um pouco mais, nas cotas de 5,30 e 5,50 metros, o rio teria transbordado nas áreas mais baixas, como o bairro Campestre. A partir disso, seriam outras áreas e os estragos proporcionalmente maiores.

Diversos especialistas entrevistados no fim de novembro e início de dezembro pelo Notisul afirmaram categoricamente: escapamos por pouco. Diferente de 1974, o volume maior de chuvas foi em Tubarão. Se tivesse sido nos municípios que ficam nas cabeceiras do Rio Tubarão, a tragédia no estado seria dupla: no norte e no sul.

Desde 1974, foram realizadas algumas ações para diminuir (já que não é possível evitar as enchentes, porque é um fenômeno natural) os estragos e, principalmente, as mortes que uma catástrofe desta pode causar. Entre elas, a retificação e dragagem do Rio Tubarão. Mas estes trabalhos foram realizados na década de 1970 e os outros projetos idealizados após a enchente de 1974 não saíram do papel.

O assunto voltou à discussão após as chuvas de novembro. Novos projetos foram propostos, outras sugestões vieram à tona. Mas, será que aprendemos de fato esta lição? Ou, como na década de 1970, as autoridades e a sociedade, como co-participante, realizarão algumas ações e deixarão outras para trás?

Como está o andamento das propostas

A redragagem do Rio Tubarão é uma das propostas mais caras e não tem projeto. Para tanto, é necessário saber qual o volume de areia precisa ser retirado, trabalho feito com a baquimetria (que confere o nível de assoreamento). O estado diz que pode ser parceiro do município neste estudo. Esta foi uma das ideias apresentadas pelo vice-prefeito de Tubarão, Felippe Luiz Collaço, o Pepê (PP), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em encontro em Brasília. Em uma avaliação inicial, seriam necessários cerca de R$ 25 milhões.

A prefeitura de Tubarão enviou, há mais de um ano um projeto, ao Ministério das Cidades, para que a região tenha uma draga permanente trabalhando no Rio Tubarão. Ainda não há resposta para as duas solicitações.
O projeto de monitoramento do rio foi apresentado também ao presidente e está avaliado em R$ 480 mil. Uma estação piloto será instalada na antiga Estação de Tratamento de Água (ETA), no bairro Fábio Silva, e deverá funcionar em mais dois a três meses. Há recursos da prefeitura e também dos parceiros, Alcoa e Senai.

Drenagem
A melhoria da drenagem pluvial de Tubarão já começou, assim como a limpeza dos canais. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) garantiu que, em mais dois meses, concluirá a drenagem na BR-101, o que evitará alagamentos no Dehon e Humaitá de Cima.

“Tem que pensar em um plano de macrodrenagem, que contemple a construção de novos canais, separando, por exemplo, as valas pluviais das utilizadas pelos arrozeiros. Apresentei um projeto sobre isso na câmara e vamos cobrar ”, afirma o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão, vereador Dionísio Bressan Lemos (PP).
Outro projeto apresentado em Brasília foi o de instalação de estações elevatórias nos bairros Dehon e Humaitá, orçado em R$ 500 mil.

As bombas serão instaladas na Padre Geraldo Spettmann (cabeceira da ponte Nereu Ramos) e na comunidade do Pantanal. Elas jogarão a água da drenagem pluvial acima do rio, quando este passar da cota de cinco metros. Já a reestrutura da Defesa Civil, foi apresentada há poucos dias, com a formação da Fundação de Meio Ambiente e Defesa Civil.

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